Você colocou o imóvel à venda pelo preço que 'acha que vale'. Os meses passaram, apareceram alguns curiosos, mas nenhuma proposta séria. Então você decidiu baixar um pouco. E depois mais um pouco. Quando a venda finalmente aconteceu, foi por um valor bem abaixo do que poderia ter sido se a estratégia fosse diferente desde o início.
Essa sequência é muito mais comum do que parece — e tem um nome no mercado imobiliário: o efeito da superavaliação. Entender como ele funciona pode poupar meses de angústia e milhares de reais.
Por que o preço alto afasta os compradores certos
Quando um imóvel entra no mercado acima do seu valor real, ele chama a atenção de pessoas que estão buscando em uma faixa mais alta — pessoas cujas expectativas não serão atendidas pelo imóvel. Quem deveria ver aquele imóvel (os compradores do perfil certo) está buscando em uma faixa de preço menor e simplesmente não o encontra.
O resultado: visitas baixas, nenhuma proposta e um imóvel que vai 'envelhecendo' no mercado. Quanto mais tempo parado, mais as pessoas desconfiam. 'Por que esse imóvel não vendeu ainda?' — essa pergunta começa a pesar nas negociações.
O custo real do tempo parado
Cada mês de imóvel parado tem um custo concreto: IPTU, condomínio, eventual financiamento sobre o imóvel, manutenção. Mas há também o custo de oportunidade: o capital preso em um imóvel não vendido é capital que não está rendendo em outra aplicação.
Em cenários de alta na taxa de juros, esse custo de oportunidade é ainda mais relevante. Vender rápido pelo preço correto geralmente é mais vantajoso financeiramente do que vender devagar por um valor ligeiramente maior.
Como a precificação correta acelera a venda
Um imóvel bem precificado desde o início gera aquilo que o mercado chama de 'demanda concentrada': vários interessados qualificados chegam ao mesmo tempo, o que cria uma dinâmica favorável ao vendedor — às vezes gerando até múltiplas propostas e pequena disputa.
No mercado imobiliário de Curitiba, imóveis bem precificados na faixa de R$ 400 mil a R$ 800 mil em bairros consolidados tendem a receber propostas dentro dos primeiros 60 a 90 dias. Acima dessa faixa, o público é menor e o prazo naturalmente se estende — mas o princípio da precificação correta continua valendo.
Como saber o preço certo?
Não existe fórmula mágica, mas existem métodos. A avaliação correta leva em conta: transações reais recentes no bairro (não apenas anúncios — que costumam ter ágio), estado de conservação do imóvel, andar, posição solar, diferenciais e a velocidade atual de absorção do mercado local.
É exatamente esse trabalho que uma imobiliária séria faz antes de colocar seu imóvel no mercado.
